Quando, por fim, deitado ao chão,
Eu do alto vier caindo, caindo,
E, de olhos fechados,
Der meu último suspiro...
Não chores: eu apenas desvivo-me.
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
La Petit Princesse
Queria que em cada gaveta
Desse meu quarto mirrado
Houvesse um pequeno planeta
E, quando talvez perguntado,
Eu então responderia:
“Adivinha quem aí mora?
É a pequena Izadora”.
E o meu visitante riria.
E quando passasse por ele,
Nesse meu quarto enrugado,
Tal homem sem classe nem pele
Melancólico e atrapalhado
Nesse meu jeito risível
Seu lábio se moveria
Ela de mim se riria
Com meu unicórnio invisível.
E eu estaria feliz
Se em algum cantinho ela houvesse:
No chão ou no teto de giz.
E nunca mais acontecesse
Dessa tristeza de velho
Quando talvez vai embora
Minha pequena Izadora
E eu logo me destrambelho.
No meu astrozinho miúdo
Petit Princesse viveria mais,
Sem espada ou mesmo escudo,
Que qualquer um dos mortais
E seria perene Izadora
Leve e sutil como amora
No meu pequeno planeta:
Asa de borboleta.
Desse meu quarto mirrado
Houvesse um pequeno planeta
E, quando talvez perguntado,
Eu então responderia:
“Adivinha quem aí mora?
É a pequena Izadora”.
E o meu visitante riria.
E quando passasse por ele,
Nesse meu quarto enrugado,
Tal homem sem classe nem pele
Melancólico e atrapalhado
Nesse meu jeito risível
Seu lábio se moveria
Ela de mim se riria
Com meu unicórnio invisível.
E eu estaria feliz
Se em algum cantinho ela houvesse:
No chão ou no teto de giz.
E nunca mais acontecesse
Dessa tristeza de velho
Quando talvez vai embora
Minha pequena Izadora
E eu logo me destrambelho.
No meu astrozinho miúdo
Petit Princesse viveria mais,
Sem espada ou mesmo escudo,
Que qualquer um dos mortais
E seria perene Izadora
Leve e sutil como amora
No meu pequeno planeta:
Asa de borboleta.
sábado, 10 de novembro de 2007
Das Epifanias Agnósticas
Das Epifanias
Deus está morto, disseram os homens.
Enquanto, dos altos céus, Ele via morrer uns 30 ou 300.
- Deus adora um paradoxo.
Da Falta Delas
Homens muito ociosos
Fizeram Deus para si
Para em seguida se perguntarem
quando ele vai existir.
Deus está morto, disseram os homens.
Enquanto, dos altos céus, Ele via morrer uns 30 ou 300.
- Deus adora um paradoxo.
Da Falta Delas
Homens muito ociosos
Fizeram Deus para si
Para em seguida se perguntarem
quando ele vai existir.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
A Terceira Margem do Rio
____________________a escritores nefastos (para ser lido em voz rápida)
Pedra da Palavra
Polpa da Palavra
Base da Palavra
Casa da Palavra
Pedra
Húmus: a Palavra
Água da Palavra
Proa da Palavra
Vela da Palavra
Rema.
A Palavra casa
A Palavra lava
Abusada Palavra
A Palavra estupra
Beija e chupa da Palavra
A língua com lascívia
A Palavra muda
Tece o verme da moral
Casca da Palavra
Leme da Palavra
Noite da Palavra
Luzes da Palavra
Larva
Roubam a Palavra
Luta da Palavra
Fogem da Palavra
Fodem a Palavra
Dilacera
Força da Palavra
Vivifica
Viva a Palavra
Lâmpada-Palavra
Alumia
Jogo da Palavra
A Palavra soa
Beijo da Palavra
Linda!
A Palavra é muita
A Palavra basta
A Palavra briga
Brinca da Palavra
Argola
Elo-cida
Corpo da Palavra
Véu da Palavra
Sombra da Palavra
Vulto da Palavra
Ofusca
Voa
Sobe na Palavra
Amada Palavra
Trepa na Palavra
Faz-lhe filhos
Morte na cabeça
A Palavra ressuscita
Usam a Palavra
Murro da Palavra
A Palavra esmurra
E te belisca
Asa da Palavra
Música
Nascente da Palavra
Estrela da Palavra
Circo da Palavra
Nuvem da Palavra
Romanceia
A Palavra é louca
A Palavra é pouca
Dentro do homem afásico nas mãos
A Palavra oca
Em nossa boca
No papel transcende.
Pedra da Palavra
Polpa da Palavra
Base da Palavra
Casa da Palavra
Pedra
Húmus: a Palavra
Água da Palavra
Proa da Palavra
Vela da Palavra
Rema.
A Palavra casa
A Palavra lava
Abusada Palavra
A Palavra estupra
Beija e chupa da Palavra
A língua com lascívia
A Palavra muda
Tece o verme da moral
Casca da Palavra
Leme da Palavra
Noite da Palavra
Luzes da Palavra
Larva
Roubam a Palavra
Luta da Palavra
Fogem da Palavra
Fodem a Palavra
Dilacera
Força da Palavra
Vivifica
Viva a Palavra
Lâmpada-Palavra
Alumia
Jogo da Palavra
A Palavra soa
Beijo da Palavra
Linda!
A Palavra é muita
A Palavra basta
A Palavra briga
Brinca da Palavra
Argola
Elo-cida
Corpo da Palavra
Véu da Palavra
Sombra da Palavra
Vulto da Palavra
Ofusca
Voa
Sobe na Palavra
Amada Palavra
Trepa na Palavra
Faz-lhe filhos
Morte na cabeça
A Palavra ressuscita
Usam a Palavra
Murro da Palavra
A Palavra esmurra
E te belisca
Asa da Palavra
Música
Nascente da Palavra
Estrela da Palavra
Circo da Palavra
Nuvem da Palavra
Romanceia
A Palavra é louca
A Palavra é pouca
Dentro do homem afásico nas mãos
A Palavra oca
Em nossa boca
No papel transcende.
sábado, 1 de setembro de 2007
Semierótico Nº 2
Eu sou o oceano:
escale minhas ondas
sonoras
e bravias
a Grande Mariposa azul grita:
escale minhas ondas
sonoras
e bravias.
o farol perambula de dia nas águas
soltando neblina e...
este é apenas o começo, querida.
a grande serpente dourada engole os peixinhos sagrados
as altas vagas de ressaca lambem o corpo na praia
o pequeno elefante escarlate nada em minhas areias
e o rei lagarto é a sua tromba:
distribuindo doces ternos entre as ostras.
- estamos novos demais para os doces das ostras.
a lua é o buraco no céu,
pálida,
a mãe-lua
o sol é nossa grande esfera de gelo
pedindo socorro:
filha, venha para mim.
a ilha no mar é o sol.
há muitas pessoas na terra
mas só há espaço para um corpo nos oceanos
os anjos sobre as águas clamam
ressonantes:
adentre as ondas
furiosas
e febris
adentre as ondas
desejosas
e mansas.
é a eternidade que chega
a eternidade com seus cabelos
entrando no mar.
comece um diário de bordo
afogue seus olhos na espuma
penetre a chuva milenar que dança:
escale minhas ondas
sonoras e bravias
_________________________escale minhas ondas
_________________________sonoras
_________________________e bravias
eu sou o oceano imenso
e abrigo um único corpo só
ah,ouça o som:
encontro a eternidade.
escale minhas ondas
sonoras
e bravias
a Grande Mariposa azul grita:
escale minhas ondas
sonoras
e bravias.
o farol perambula de dia nas águas
soltando neblina e...
este é apenas o começo, querida.
a grande serpente dourada engole os peixinhos sagrados
as altas vagas de ressaca lambem o corpo na praia
o pequeno elefante escarlate nada em minhas areias
e o rei lagarto é a sua tromba:
distribuindo doces ternos entre as ostras.
- estamos novos demais para os doces das ostras.
a lua é o buraco no céu,
pálida,
a mãe-lua
o sol é nossa grande esfera de gelo
pedindo socorro:
filha, venha para mim.
a ilha no mar é o sol.
há muitas pessoas na terra
mas só há espaço para um corpo nos oceanos
os anjos sobre as águas clamam
ressonantes:
adentre as ondas
furiosas
e febris
adentre as ondas
desejosas
e mansas.
é a eternidade que chega
a eternidade com seus cabelos
entrando no mar.
comece um diário de bordo
afogue seus olhos na espuma
penetre a chuva milenar que dança:
escale minhas ondas
sonoras e bravias
_________________________escale minhas ondas
_________________________sonoras
_________________________e bravias
eu sou o oceano imenso
e abrigo um único corpo só
ah,ouça o som:
encontro a eternidade.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Caceada
Quando chegar enfim o dia
Em que o desejo não querido dos meus amigos tristes se me apresentar
Sentirei saudades de Rosa
E das histórias que me contava.
Sentirei saudades de Dora
Dos peitos que ela me dava
E dos filhos que planejamos.
Pensarei com pena em minha mãe.
Sentirei o cheiro bom de alguma antiga namorada
E lembrarei de todo meu inconsciente
como quem encontra um amigo abandonado.
Contra minha vontade, que um dia tive,
Me vestirão terno e paletó.
Que eu não quis vestir no casamento.
Parecerei outro, que já não sou
E que quiseram haver sido.
Lembrarão com orgulho de minha pobreza de espírito
E uma certa melancolia.
Alguém (aplausos!) rirá.
Em que o desejo não querido dos meus amigos tristes se me apresentar
Sentirei saudades de Rosa
E das histórias que me contava.
Sentirei saudades de Dora
Dos peitos que ela me dava
E dos filhos que planejamos.
Pensarei com pena em minha mãe.
Sentirei o cheiro bom de alguma antiga namorada
E lembrarei de todo meu inconsciente
como quem encontra um amigo abandonado.
Contra minha vontade, que um dia tive,
Me vestirão terno e paletó.
Que eu não quis vestir no casamento.
Parecerei outro, que já não sou
E que quiseram haver sido.
Lembrarão com orgulho de minha pobreza de espírito
E uma certa melancolia.
Alguém (aplausos!) rirá.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Nota de Falecimento
Morre Augusto B. Silva
De um ataque fulminante no único coração que tinha
Deixa mulher, filhos, religião
E uma pequena propriedade na Rua B, 325.
De um ataque fulminante no único coração que tinha
Deixa mulher, filhos, religião
E uma pequena propriedade na Rua B, 325.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
pois bem...
o espaço é para textos meus e da calina - e de alguns outros bons escritores que gostamos.
às vezes escritos de um, às vezes escritos do outro. Alguns dias, dos dois.
Estamos trabalhando, junto com um amigo, numa história sobre um trio de jovens franceses que tentam reencontrar a França de seus pais na França pós-segunda guerra.
É divertido escrever com ela.
Contudo, acho que aqui não será sobre isso.
Enquanto não quero digitar antigos manuscritos ou escrever algo realmente custoso, vai algo ao deus-dará, à última hora, algo daquele tempo preguiçoso das três horas da manhã a se ir dormir:
Poemeto Inventivo
"eu quem inventei o mundo.
inventei a criança:
a titubear entre a boneca e o velotrol.
inventei o medo,
que é pra não ficar tudo sem graça.
inventei a vida como é e o sonho,
que é como quer que se seja.
e inventei o amor para que se completem e se atrapalhem os humanos.
inventei tudo que vive e tudo que se há de inventar.
tá bom, é mentira."
às vezes escritos de um, às vezes escritos do outro. Alguns dias, dos dois.
Estamos trabalhando, junto com um amigo, numa história sobre um trio de jovens franceses que tentam reencontrar a França de seus pais na França pós-segunda guerra.
É divertido escrever com ela.
Contudo, acho que aqui não será sobre isso.
Enquanto não quero digitar antigos manuscritos ou escrever algo realmente custoso, vai algo ao deus-dará, à última hora, algo daquele tempo preguiçoso das três horas da manhã a se ir dormir:
Poemeto Inventivo
"eu quem inventei o mundo.
inventei a criança:
a titubear entre a boneca e o velotrol.
inventei o medo,
que é pra não ficar tudo sem graça.
inventei a vida como é e o sonho,
que é como quer que se seja.
e inventei o amor para que se completem e se atrapalhem os humanos.
inventei tudo que vive e tudo que se há de inventar.
tá bom, é mentira."
sábado, 7 de julho de 2007
Monólogo Coletivo
Só nos concerne nosso corpo
E a esperança de que possam usá-lo.
Tudo definha e morre
E se apresenta como uma nova visão
Do que um dia perdemos.
Desistimos de amanhãs que encantam
Para nos perdermos num presente-contínuo desiludido
Sem altruísmos nem utopias.
Somos vácuos de espíritos abortados.
A pantera sutilmente devorou nossa consciência
Deixando-a cheia de tolos saberes
Com larvas gosmentas de pretensão.
Há professores de matemática, História, química, física, biologia...
Compartilhando um universo completamente reduzido e desinteressante.
Nossos pais nos construiram,
Mas não carregamos deles nenhuma marca.
A memória se dissipou na inevitabilidade da morte.
Nossos corpos circulam sem perspectiva de vida,
Carregando pesares ressequidos.
- Eis os vazios-distraídos-existentes.
Símios semimoribundos que se desfazem progressivamente,
Cuja desilusão não combina com suas roupas.
É preciso ser vívido
O simples se tornou obsoleto.
O cotidiano não ensina nada.
Lembra-te
De quando trocamos nossos rostos por aquele lenço amarelo?
Era a única oferta que tínhamos, não a melhor.
A solidão individual
É a similaridade do coletivo.
As idiossincrasias são todas as mesmas em todas as mentes.
E a esperança de que possam usá-lo.
Tudo definha e morre
E se apresenta como uma nova visão
Do que um dia perdemos.
Desistimos de amanhãs que encantam
Para nos perdermos num presente-contínuo desiludido
Sem altruísmos nem utopias.
Somos vácuos de espíritos abortados.
A pantera sutilmente devorou nossa consciência
Deixando-a cheia de tolos saberes
Com larvas gosmentas de pretensão.
Há professores de matemática, História, química, física, biologia...
Compartilhando um universo completamente reduzido e desinteressante.
Nossos pais nos construiram,
Mas não carregamos deles nenhuma marca.
A memória se dissipou na inevitabilidade da morte.
Nossos corpos circulam sem perspectiva de vida,
Carregando pesares ressequidos.
- Eis os vazios-distraídos-existentes.
Símios semimoribundos que se desfazem progressivamente,
Cuja desilusão não combina com suas roupas.
É preciso ser vívido
O simples se tornou obsoleto.
O cotidiano não ensina nada.
Lembra-te
De quando trocamos nossos rostos por aquele lenço amarelo?
Era a única oferta que tínhamos, não a melhor.
A solidão individual
É a similaridade do coletivo.
As idiossincrasias são todas as mesmas em todas as mentes.
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